Apesar do caso já se ter passado na última quinta-feira, creio que vale a pena deixar por escrito o que me passou pela cabeça aquando do Totenham vs Benfica dos oitavos de final da Liga Europa.
Em primeiro lugar, excelente jogo da equipa, compacta, coesa e muito matreira, a sair para o contra-ataque sempre com perigo. Rodrigo a fazer um jogão, não só pelo golo mas pela dinâmica que ofereceu à equipa. É pena que esteja de partida. Amorim a demonstrar a sua qualidade na construção de jogo e no fechar dos espaços. Curioso caso este de um b2b que só não é o é por manifesta falta de velocidade, pois a inteligência para fazer a função está lá. E Luisão, o mesmo que aparece nos (poucos, verdade seja dita) momentos que antecedem os títulos, goleador e imperial na defesa, a demonstrar que velhos são os trapos.
Esta poderia ter sido uma noite perfeita do Benfica. Poderíamos ter saído de White Hart Lane com uma vantagem agradável, depois de termos feito uma exibição como há muito não fazíamos na Europa e conscientes que só de livre direto é que uma das boas equipas do campeonato inglês conseguiu abalar a solidez da nossa defesa. Mas como em tantas outras vezes, Jesus foi o seu pior inimigo. Mostrando o típico ar de quem se vê com muito vindo do nada, deixou expresso a todo o universo benfiquista que não só não aprende como se acha no topo da cadeia, o único capaz, o homem máximo a quem todos respondem ao comando e à ordem, mesmo quando é dele que parte a desordem e a falta de educação. Que ele tenha tido problemas com um treinador inglês (que segundo consta fez a cama a André Villas Boas) por causa de uns festejos mais provincianos e até, admito, em defesa do adversário português que o vergou à derrota mais humilhante da sua carreira eu até deixo passar, mas quando um treinador perdedor mas tantas vezes defendido, tão erróneo e tantas vezes avalizado, com tantas oportunidades face a quem não teve - nem nunca vai ter - nenhuma desrespeita figuras da sua própria equipa técnica, administrador do clube e uma autêntica lenda viva do clube, homens que já viram mais ouro, prata e bronze do que ele alguma vez conseguirá comprar, aí já me sinto angustiado. Porque custa ver. Custa passar da satisfação de uma vitória bem conseguida ao aborrecimento de quem já viu a mesma cena uma e outra vez e já conhece o resultado final.
Mas assim como o era antes deste incidente ele permanecerá: intocável. É como se dentro da estrutura do clube ele pudesse cometer todos os delitos que bem entender, pois haverão de prescrever. "Quando virá o crime lesa Benfica?" parece a próxima questão com que teremos de lidar, a única dúvida é saber quando.


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