terça-feira, 18 de março de 2014

A questão Siqueira

Por esta altura, cerca de duas horas depois das emoções vividas na ilha da Madeira e com mais três pontos averbados, os milhões de Benfiquistas dentro e fora de portas repousam na ideia de que o campeonato está mais próximo e o Benfica poderá até ao fim do campeonato baquear mas não quebrará totalmente nem deixará fugir tantos pontos quantos tem de avanço.





Ainda que o cenário pareça estável - e caminhemos para uma semana com uma eliminatória bem encaminhada - existe contudo uma questão de fundo que me preocupa e da qual me ocuparei (e esperançosamente algum do vosso tempo) neste primeiro post, apesar do timing nada apetecível pois o jogador em causa teve um jogo para esquecer esta segunda. Falo-vos, é claro, de Siqueira.

Gostava de, ao invés de começar a expor os "prós em Siqueira" e porque é que sou um defensor de que negociemos o passe do jogador com o seu clube, inverter a ordem cronológica das coisas para, num exercício breve, elencar o calvário pós-Coentrão com que o Benfica e Jesus tiveram de lidar:

Quando em 2011/2012 Fábio Coentrão assinou pelo Real Madrid então de José Mourinho, o Benfica resolveu contratar Joan Capdevilla, veterano da Roja e Emerson, que havia sido campeão pelo Lille, como opções para o lugar. Com Capdevilla a disputar apenas 12 jogos nessa curta passagem pela Luz, ficou entregue a Emerson, o eterno "Mágico da Conceição", a faixa esquerda, ou, como conhecida pelos adversários, a Avenida Brasil. Os resultados foram miseráveis, com os Benfiquistas, ainda doridos pela partida do Figo das Caxinas, a levarem as mãos à cabeça de cada vez que Emerson se lembrava de que era jogador de futebol ou por eles puxava, qual fantoche desengonçado a querer parecer elegante.

2012/2013 foi a época dos dissabores, tendo Jesus em Melgarejo e André Almeida as opções para lateral esquerdo. Com Melgarejo titubeante de início e sem nunca conseguir deslumbrar, o português foi ganhando o seu espaço, por muito que não soubesse atacar com a qualidade do seu concorrente. No fundo, a ideia que ficava é que um bom lateral esquerdo para o Benfica teria que decorrer não de Melgarejo nem de AA mas sim da junção dos dois... numa só pessoa. Esquisito.

Nesta época, na qual ainda não se ganhou nada e com as decisões a aproximarem-se, o LE titular tem sido Siqueira. Pese embora algumas lesões, a rotatividade faz-se principalmente entre Sílvio e Maxi na direita, com o brasileiro a ser utilizado, por exemplo, tanto na quinta passada ante o Totenham como ontem.
Siqueira é um lateral ofensivo longe do que Coentrão nos deu nos seus tempos áureos, mas que ainda assim fez o que nenhum dos seus antecessores conseguiu até agora: cimentar o seu lugar, trazer estabilidade a uma posição crítica. Jogou até agora 20 jogos, o que sem o tornar indiscutível dá mostras de utilidade que pode ter para o clube. 

Para finalizar este penoso exercício, deixo a lista dos jogadores que com Jesus experimentaram a posição de DE, todos sem sucesso: 
  1. David Simão, 
  2. Carole, 
  3. César Peixoto, 
  4. Capdevilla, 
  5. Melgarejo, 
  6. Luisinho, 
  7. André Almeida, 
  8. Cortez, 
  9. Shaffer, 
  10. David Luiz e
  11. Luís Martins.


(Com tudo isto, obrigado ao Zerozero pois há nomes no futebol para os quais tenho memória seletiva)

A questão coloca-se: valerá ou não a pena o investimento? [a cláusula de compra do empréstimo andará em torno de 7 milhões de euros por 50% do passe]



Muito embora eu reconheça que Siqueira dificilmente será um ativo financeiro para o SLB, isto é, dificilmente teremos lucro com ele, creio que essa é uma questão despiciente se tivermos em conta o rendimento desportivo que poderá ter. Com os seus 27 anos, garantir-nos-á à partida mais 4 anos de bom futebol, 4 anos com uma posição fulcral ocupada por um jogador acima da média. E porque acredito que Jesus o poderá potenciar, corrigindo as suas duas maiores falhas, o posicionamento defensivo e a recuperação, pode tornar-se sem dúvida o titular da posição. 

Quando gastámos 20 milhões por dois jovens atacantes sem provas dadas (Ola e Markovic), 4 milhões por um jogador em final de contrato com 27 anos (Lima), quase 15 por um Salvio que fora aquela época no Benfica e outra no campeonato argentino não era um jogador de top, 2 pelo Mori que está na B, mais milhões noutros (e nem estou a contar com as comissões e salários) bacanos que chegam a Lisboa só para mostrar as caneleiras nos Instagrams (Deyverson e outros) custa a crer que no meio deste investimento todo, num dos maiores orçamentos de sempre do futebol português, não se consiga pagar a pronto, sem discussões nem intervenções de última hora (vide Diego, vide Lisandro Lopez, etc.) o jogador que resolveria a GRANDE lacuna dos últimos 5 planteis do Benfica.

Por isso sim, é claro que quanto menos pagarmos melhor, e 7 milhões é um valor considerável. Agora, não negociar o passe de Siqueira será por ventura um erro que nos custará a próxima época.

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